O plano de rigging não é burocracia. É o projeto da operação.
Muita gente trata o plano de rigging como documento de auditoria. Ele é a peça de engenharia que define se a operação é possível.
Um plano de rigging responde a perguntas que não admitem chute: qual o peso real da peça e onde está o centro de gravidade; qual o raio de trabalho em cada momento do giro; que configuração de lança e contrapeso atende àquele raio; que acessórios de içamento suportam aquela carga naquele ângulo; e o que acontece se o vento subir no meio do movimento.
Quando o plano é feito depois de o equipamento já estar contratado, ele deixa de ser projeto e vira justificativa. O guindaste que já está no canteiro passa a ser o dado fixo, e todo o resto se ajusta a ele — que é exatamente a ordem inversa da correta.
No içamento dos arcos do Shopping Iguatemi, a peça exigia rotação de 180° no ar com interferência da própria estrutura do guindaste. Isso só é descoberto no plano. Depois, com a peça pendurada, não é mais informação: é acidente.
