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Makro Explica

Como uma carga
pesada é
realmente movida.

Quem especifica um içamento raramente encontra material técnico em português. Esta seção é a nossa engenharia explicando, sem jargão, o que decide uma operação.

Por que existe

A decisão é
tomada antes
do guindaste
chegar.

Na maioria dos projetos, quem escolhe o equipamento não é quem opera. É um engenheiro de planejamento, um gerente de parada, um coordenador de montagem — gente que precisa decidir com informação boa e quase nunca tem.

A Makro produziu 150 estudos de rigging só para um complexo eólico. Esse conhecimento não deveria morrer no arquivo do projeto. Aqui a gente publica o que aprendeu, na forma mais útil possível para quem vai especificar a próxima operação.

01 Método

O plano de rigging não é burocracia. É o projeto da operação.

Muita gente trata o plano de rigging como documento de auditoria. Ele é a peça de engenharia que define se a operação é possível.

Um plano de rigging responde a perguntas que não admitem chute: qual o peso real da peça e onde está o centro de gravidade; qual o raio de trabalho em cada momento do giro; que configuração de lança e contrapeso atende àquele raio; que acessórios de içamento suportam aquela carga naquele ângulo; e o que acontece se o vento subir no meio do movimento.

Quando o plano é feito depois de o equipamento já estar contratado, ele deixa de ser projeto e vira justificativa. O guindaste que já está no canteiro passa a ser o dado fixo, e todo o resto se ajusta a ele — que é exatamente a ordem inversa da correta.

No içamento dos arcos do Shopping Iguatemi, a peça exigia rotação de 180° no ar com interferência da própria estrutura do guindaste. Isso só é descoberto no plano. Depois, com a peça pendurada, não é mais informação: é acidente.

02 Escolha de equipamento

Esteira ou telescópico? A pergunta certa não é qual levanta mais.

Dois guindastes com a mesma capacidade nominal resolvem problemas diferentes. O que decide é tempo de permanência, mobilidade e piso.

Telescópico sobre pneus chega andando, monta em horas e sai no mesmo dia. É a escolha quando a operação é pontual, quando há várias frentes espalhadas ou quando a janela é curta. O preço disso é a montagem e desmontagem de contrapeso a cada mudança de posição.

Guindaste de esteira compensa quando o equipamento vai ficar. Ele se desloca com carga pendurada, trabalha em raio grande com estabilidade melhor e sustenta uma sequência longa de içamentos no mesmo ponto — mas exige transporte em carretas, área de montagem e piso preparado.

A conta que realmente decide raramente é a de capacidade. É a de tempo: quantos dias o equipamento fica, quantas vezes ele muda de posição e o que custa cada mudança.

03 Planejamento

O guindaste aguenta. A pergunta é se o chão aguenta.

A tabela de carga fala do equipamento. Quem reprova operação com mais frequência é o solo debaixo dele.

Um telescópico de grande porte concentra centenas de toneladas em quatro sapatas. A pressão resultante costuma superar em muito o que o terreno natural suporta — e o cálculo de capacidade de carga do solo passa a ser tão determinante quanto a tabela do fabricante.

Daí vêm as plataformas de trabalho: placas de distribuição, estrado de madeira ou aço, camada compactada, às vezes estaqueamento. Cada uma muda o custo e o prazo da mobilização, e nenhuma aparece no orçamento de quem só cotou o guindaste.

No Iguatemi, o terreno era área de antigo mangue. O estudo de solo veio antes de qualquer coisa entrar em campo — e foi ele, não a capacidade do equipamento, que definiu onde o guindaste podia ficar.

04 Eólica

Montar aerogerador é engenharia de janela.

A peça é enorme, a área de vela é imensa e o vento — que é a razão do parque existir — é o inimigo da operação.

Cada içamento de nacele ou de pá acontece numa fresta de tempo entre rajadas. O limite de vento para a operação é bem mais baixo que o de projeto do aerogerador, e cai mais ainda conforme a altura sobe. A 120 metros, a diferença entre o vento no solo e o vento na ponta da lança decide se o dia é produtivo ou perdido.

Isso muda o planejamento inteiro: a sequência de montagem é desenhada para que a peça mais sensível ao vento esteja pronta para subir no melhor horário do dia, com tudo pré-montado no solo e a equipe posicionada antes da janela abrir.

Foi exatamente esse tipo de otimização que rendeu à Makro o prêmio Top Crane de 2022 — içamentos a 120 metros, executados em janelas curtas, entre rajadas intensas.

05 Parada

Numa parada, o guindaste é o que menos atrasa.

A planta parada queima dinheiro por hora. O que salva a janela é o que foi feito semanas antes da parada começar.

Parada de manutenção é o oposto de improviso. A janela é fixa, cada içamento tem hora marcada e uma frente atrasada empurra todas as outras. O trabalho decisivo acontece antes: inspeção prévia em campo, plano de rigging por frente, definição de posição de equipamento e simulação no local.

Na parada de uma usina de pelotização em São Luís, foram trinta dias de janela, quarenta profissionais e três guindastes de grande porte para trocar rotores, dampers e duto de ventilação de forno — com o maior conjunto somando 75 toneladas.

Quando o cliente chama o guindaste depois de o cronograma estar fechado, o equipamento vira variável de ajuste. Quando chama antes, ele vira parte do cronograma.

06 Transporte

Carga indivisível: o transporte começa no cartório, não na estrada.

Antes de qualquer peça excedente sair do pátio, existe um processo de licenciamento que define rota, horário e escolta.

Carga indivisível é aquela que não pode ser desmontada para caber nos limites legais de peso e dimensão. Para circular, ela depende de Autorização Especial de Trânsito — emitida pelo órgão com jurisdição sobre cada trecho da rota.

O que antecede a AET é um estudo de rota: levantamento de gabaritos, análise das obras de arte que a carga vai atravessar, verificação de raios de curva, rede elétrica, praças de pedágio e restrições de horário. Uma ponte reprovada pode acrescentar centenas de quilômetros ao trajeto.

Por isso o prazo de um transporte especial quase nunca é o tempo de viagem. É o tempo de licenciamento — e ele precisa entrar no cronograma do projeto desde o começo.

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